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Mulheres Inspiradoras: O Sorriso de AnaMi

A autora e sua obra: inspirações pra vida

 

A vida presenteou Ana Michelle Soares com um sorriso único, com o qual ela presenteia todos a sua volta. Jornalista de formação, veio ao mundo com a vocação extra de amar a vida. E por isso ela sempre viveu com intensidade. Trabalhou como jornalista esportiva em uma época em que mulheres ainda eram figuras raras nas redações.


Começou um blog de decoração bem antes da febre dos blogs. E na tela do computador ela mostrava as transformações de sua casa. Por isso, ao descobrir um câncer de mama aos 28 anos, ela decidiu partilhar com os leitores as transformações de seu corpo, que também é sua casa.

Com a evolução do tratamento evoluiu também o conhecimento de Ana Michele sobre o assunto. E ela continuou partilhando. Criou o Meninas de Peito, grupo formado na internet para apoiar e informar mulheres com câncer. Não demorou muito para que uma comunidade inteira se reunisse ali para dividir as dores e multiplicar a esperança.

Em 2015, depois do tratamento, de uma mastectomia, retirada cirúrgica de toda a mama, e de 3 anos de controle ela descobriu uma mancha no fígado. A possiblidade de ser uma metástase foi exposta ao grupo, tocou corações, gerou temores, e fez brotar uma linda amizade.


Do outro lado da maior cidade do Brasil a professora Renata Lujan vivia uma situação parecida. Também tinha descoberto uma metástase de vísceras. Nessa época a visão que a medicina tinha sobre a metástase era a da terminalidade. Ana e Renata provaram o contrário. “ Começamos uma caminhada juntas, cada uma com seu médico e convênio, mas caminhando juntas, conversando”, conta Ana Michele.

E ao longo do tempo estreitaram laços, escreveram histórias. Continuaram tendo uma vida ativa, colorida e cheia de amor, mesmo depois de 70 sessões de quimioterapia. “Nós não pensamos em quando vamos morrer. Nós pensamos em como vamos viver”,  explica.


Juntas criaram um perfil nas redes sociais , o PaliAtivas, com milhares de seguidores. E ali expõem o dia a dia de uma relação de amor, de carinho, de respeito, de amizade e de luta. As duas viajaram pelo mundo, de mochila nas costas, visitaram os amigos, se colocaram à disposição de ouvir o outro.  Nas fotos esbanjam beleza e alegria, com perucas coloridas, “destrutoriais” de amarração de lenços, exames de sangue, solidariedade e sorrisos intensos.“ Aprendemos a ressignificar nossa luta”, define Ana. E essa luta enche de força e fé os leitores que por ali passam, deixam seus relatos de emoção e  amparo.

Renata partiu no início do mês de agosto, aos 38 anos, segundo Ana Michele, sem nenhum arrependimento, nenhum rancor, nada mal entendido. Nos últimos momentos os planos de vida da jornalista eram exatamente os planos de Renata. Ficar juntas o máximo possível, rir, chorar, celebrar a vida. O último pedido dela? Publicar no instagram uma foto bem linda com a legenda “ o céu é de Renata”. Assim foi.


Mantendo o sorriso no rosto, Ana Michele segue com os tratamentos paliativos, recebendo medicação, devolvendo amor e conhecimento. É voluntária do Oncoguia, instituição sem fins lucrativos fundada por profissionais de saúde e ex-pacientes com câncer para ajudar, orientar e informar pessoas que lutam contra a doença. “Quando me empoderei da situação de paciente paliativa entendi que não tenho a pretensão de me curar.  Tenho a intenção de viver, com qualidade de vida, de cuidar de mim e das minhas pessoas, de fazer o bem”, resume ela.


Ela conta em um de seus posts que ouviu um médico dizer que “há cuidados paliativos para aqueles casos em que não há mais o que fazer”. E responde com a própria vida: há sim. Viver. E sorrindo.

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