Pela beleza Negra

Maquiagem pele Negra
Os números comprovam: segundo o IBGE os negros são quase 54% da população brasileira.  Mas ainda são minoria no comando das grandes corporações, nos cargos públicos, na publicidade, nas novelas, na elite financeira do país. É um retrato do racismo que ainda persiste em todas as camadas sociais e que está nos mínimos detalhes. Inclusive no mercado da beleza.

As grandes marcas até oferecem um ou outro tom de base para peles negras, mas que não atendem as necessidades do consumidor.  E, perversamente, as mulheres de pele mais escura pareciam invisíveis aos olhos da grande indústria, que não fabricava produtos voltados à elas. Não achar  a cor certa para sua pele sempre incomodou a empresária Rosângela José da Silva. E foi aí que ela resolveu transformar sua insatisfação em negócio.

“A marca Negra Rosa nasceu para atender a uma parcela grande da população que tem dificuldade de achar produtos para o seu tom de pele. Uma população que não recebeu atenção das grandes marcas por conta de todo um racismo que faz com que nós não sejamos olhadas como modelo de beleza”, explica a diretora de criação da Negra Rosa.

Rosângela é fluminense, cativante e dinâmica. Começou a carreira no mundo da beleza como youtuber até que uma amiga a instigou a criar produtos que atendessem à essa demanda esquecida. Em 2016 lançaram os primeiros batons. Em 2017, as bases. E a formulação de cada item leva em conta o resultado que ele terá nas peles negras. Até o marketing da empresa é todo protagonizado por mulheres negras.

Rosângela tem a real dimensão de que o papel da Negra Rosa vai muito além do que produzir e vender maquiagem. “ A marca tem o desafio de despertar o poder da pessoa negra de se embelezar, pois a nossa beleza sempre ficou de fora do "padrão de beleza" da sociedade. Outro desafio é conseguir se firmar como uma opção genuína de beleza para pessoas negras em meio a grandes marcas consagradas no mercado que não davam a devida atenção às particularidades da pele negra.

Temos também um ambiente hostil ao empreendedorismo, que dificulta o crescimento”, resume.

Como um resgate das próprias origens, os batons Negra Rosa são batizados com nomes africanos, como Aqualtune, lindo tom arroxeado que homenageia a filha do rei do Congo, trazida para o Brasil como escrava reprodutora, que fugiu grávida para Palmares e ali teve filhos e netos, entre eles nada menos que Zumbi.

A história da Negra Rosa começa a ser escrita em lindas cores e texturas. E será longa. Sorte do Brasil.

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